quarta-feira, 29 de agosto de 2007

EU AINDA NÃO VI "TROPA DE ELITE"


Li esta crônica/crítica escrita por Arthur Xexéo para o Segundo Caderno do jornal O Globo e achei muito interessante. Por isso resolvi postá-la para vocês. Segue abaixo.

Eu ainda não vi ‘Tropa de Elite’

Mas já adianto que é o melhor filme brasileiro do ano e que merece estourar nas bilheterias.

Estava pronto para dedicar esta coluna ao fato de que, a pouco de mais de um mês de sua estréia, “Tropa de Elite” já pode ser considerado o melhor filme brasileiro do ano. Mas essa disposição só durou até ler, ontem, aqui no Globo, o artigo do diretor do filme, José Padilha. Irritado, com toda razão, por ter seu filme pirateado, Padilha não livra a cara de ninguém na cadeia produtiva do disco pirata. Nem do consumidor. “Aos compradores dos produtos piratas, quero lembrar que esses indivíduos (empresários e trabalhadores que investiram o seu suor, o seu tempo e o seu dinheiro para criar um filme, uma música ou um software) têm família, e também precisam de suas rendas para sobreviver”.

Temendo que, hoje ainda, eu seja convocado para prestar depoimento em alguma delegacia, prefiro dizer que não vi “Tropa de Elite”. Poderia fazer como o presidente Lula, que, flagrado assistindo a uma cópia falsificada de “2 filhos de Francisco”, alegou que não sabia que era pirata. Ao revelar que assisti ao filme numa das muitas sessões que vêm sendo promovidas nos aparelhos de vídeo de academias de ginástica. Mas seria mais difícil ainda convencer os leitores de que freqüento academias de ginástica. Poderia dizer que estava no ônibus em que o filme foi mostrado para o time do Fluminense. Ou que fiz parte de uma das muitas rodinhas que se formam em torno dos camelôs do Centro para acompanhar o filme em aparelhos de DVDs. Mas não. Aderindo à luta antipirataria, afirmo: ainda não vi “Tropa de Elite”.

Portanto, não posso dizer que, assim como “Cidade de Deus”, é uma daqueles filmes que agradam a gregos e troianos, ou às massas e aos críticos. Às massas, José Padilha oferece um filme de ação com um ritmo não muito comum em produtos nacionais. Diferentemente de “Cidade de Deus”, a ação não é reforçada por efeitos de montagem. “Tropa de Elite” tem um roteiro esperto e cenas de ação policial muito bem filmadas. A ação existe por si só, independentemente de truques na sala de edição. Aos críticos, José Padilha oferece uma complexa radiografia da violência e da corrupção que mistura bandidos e policiais no Rio de Janeiro.

Como no artigo de ontem, o cineasta não livra a cara de ninguém. Durante grande parte da projeção, é um filme de bandido e mocinho, em que os bandidos são os PMs; e os mocinhos, os policiais do BOPE. É a corrupção da PM contra o incorruptível BOPE. Com o tempo, o espectador começa a duvidar da legalidade dos métodos de treinamento do BOPE e de sua própria ação violenta nos morros cariocas. O filme solta farpas também para o trabalho de ONGs nas favelas e suas duvidosas relações com o tráfico – ou “movimento”. “Eles têm consciência social”, justifica uma das estudantes que trabalha na ONG do filme. Ela mesma verá que não é bem assim.

Bem, isso tudo eu escreveria se tivesse visto o filme. Diria também que José Padilha reuniu um grupo de atores de primeira. Grande parte dele com apelo popular por fazer parte do elenco de “Paraíso Tropical”. O protagonista é Wagner Moura – surpreendentemente, sem a companhia de Lazaro Ramos – em mais um trabalho irrepreensível neste ano da graça de 2007. o primeiro nome feminino é o de Fernanda Machado, revelação da novela como a infeliz Joana. No filme está também Marcelo Valle, o Sérgio Otávio, motorista de Antenor. E, por fim, o ótimo Caio Junqueira, num papel de destaque no filme e que teve uma participação episódica na novela – ele era o funcionário do hotel na África do Sul que tinha uma armação com Olavo, lembra?

Se eu tivesse visto “Tropa de Elite”, poderia dizer ainda que o filme tem os melhores diálogos da Retomada.

Não sei o quanto essa pirataria vai prejudicar a carreira do filme nos cinemas. É um caso inédito no Brasil. Aconteceu com o filme de José Padilha o temor de toda indústria cinematográfica: ser pirateado antes de entrar em cartaz. É por isso que, cada vez mais, os filmes têm lançamento simultâneo em todo mundo. É por isso que a indústria investe todas as suas cartas no primeiro fim de semana em cartaz. Mas quando cópia pirata chega ao mercado antes mesmo de a indústria tentar se precaver... aí não há o que fazer. No entanto, não posso deixar de pensar que a pirataria de “Tropa de Elite” democratizou uma prática que tem acompanhado todos os grandes lançamentos nacionais. Assisti a “Cidade de Deus” num cinema lotado mais de um mês antes de sua estréia nos cinemas. E não foi aquela a primeira sessão para a qual fui convidado. Tornou-se uma prática exibir o filme antes, bem antes, para... hummm... formadores de opinião. É uma maneira de o filme ganhar espaço nos jornais e criar expectativa para seu lançamento. A pirataria de “Tropa de Elite” ampliou esse público privilegiado. Muito mais gente está vendo o filme e não só os formadores de opinião. Não duvido nada que os produtores tenham uma surpresa e acabem estreando com o maior boca a boca da história do cinema. O filme tem potencial para levar aos cinemas o público que não é freqüentador assíduo das salas de projeção, como aconteceu com “Cidade de Deus” e com “2 filhos de Francisco”.

Bem, se ninguém acreditar que não vi o filme, estabeleço aqui um compromisso: assim que estrear, vou ao cinema, compro o ingresso e o mostro aqui para vocês.

sábado, 25 de agosto de 2007

SÓ VIVENDO

Vale a Pena:

Só vivendo...

Já perdoei erros quase imperdoáveis, tentei substituir pessoas insubstituíveis e esquecer pessoas inesquecíveis.
Já fiz coisas por impulso.
Já me decepcionei com pessoas quando nunca pensei me decepcionar. Mas também decepcionei alguém.
Já abracei para proteger.
Já dei risada quando não podia, fiz amigos eternos, amei e fui amado, mas também já fui rejeitado, fui amado e não amei.
Já gritei e pulei de tanta felicidade, já vivi de amor e fiz juras eternas, “quebrei a cara” muitas vezes!
Já chorei ouvindo música e vendo fotos, já liguei só para escutar uma voz, me apaixonei por um sorriso, já pensei que fosse morrer de tanta saudade e tive medo de perder alguém especial (e acabei perdendo)!
Mas vivi! E ainda vivo! Não passo pela vida... e você também não deveria passar! Viva! Bom mesmo é ir à luta com determinação, abraçar a vida e viver com paixão, perder com classe e vencer com ousadia, porque o mundo pertence a quem se atreve e a vida é muito para ser insignificante.

quarta-feira, 22 de agosto de 2007

CRESCER E AMADURECER

Tudo tem seu lado positivo e seu lado negativo na vida. Amadurecer seria o quê: positivo ou negativo? Sei não... as pessoas falam tanto que amadurecer e crescer é bom, pelo menos é o que dá a entender quando dizem “fulano está amadurecendo” ou “ela é bem madura”. Talvez se refiram ao crescimento pessoal, que é considerado importante para a formação do ser humano.

Crescer é duro, é difícil, é espantoso, é como passar a usar óculos e enxergarmos tudo da maneira que exatamente é, porém, totalmente necessário. Quando somos crianças temos sonhos e podemos acreditar neles, ignoramos os obstáculos que a vida nos coloca, achamos que tudo é mais fácil do que realmente é. Temos tudo pronto sem precisarmos ter o trabalho de preparar, de saber como é feito, de que forma aquilo apareceu na nossa frente. Não temos noção do esforço e sacrifício que nossos pais fazem para nos proporcionar as coisas mais fundamentais e necessárias da vida, tudo que temos, não falando somente de bens materiais, mas de educação, de carinho, de amor, de tempo... Se não entendemos de onde vem tal coisa ou tal pessoa, se estiver tudo bem e divertido, já é o suficiente, não precisamos de mais nada. Rir é algo facílimo, qualquer novidade, passeio com amigos, viagem, diversão, até a escola faz rir. Chorar de dor no coração por algo que alguém tenha feito de ruim, que nos magoe, é raríssimo, talvez chorar seja reservado para momentos de manha ou falta de algo momentâneo. Brincar é um verbo super solicitado nesta fase. Saudável é brincar de boneca, andar de bicicleta, fazer castelinho de areia na praia, ir à piscina com amiguinhos, ir para festinha de aniversário da melhor amiga, viajar para casa de praia, para casa da vovó e do vovô, brincar de massinha, assistir a desenhos animados na televisão...

A fase de transição é sofrida, acho que podemos comparar a uma maratona, cada um tem seu ritmo para chegar à linha aspirada. Os sonhos se tornam cada vez mais impossíveis e mais longínquos quando somos obrigados a nos deparar e encarar a realidade e consequentemente enxergar situações, pessoas e coisas que acreditávamos ser uma e na real é outra. A decepção é forte e extremamente dolorosa. Começamos a pegar no pesado, ter que preparar o material que antes nos chegava como que caindo do céu, e assim descobrimos suas fontes. A parte boa é quando começamos a enxergar papai e mamãe como realmente são (pelo menos para mim foi boa): orgulhamos-nos deles e damos o valor que merecem. O sacrifício se transforma em gratidão. Rir é exclusividade para momento especial e acompanhado de pessoas especiais. Chorar deixa de ser manha e se torna dor, sofrimento, tristeza, perda, decepção, falha, solidão... Brincar, só se for escondido para não ser “zoado”, ou privilegio para íntimos. Trabalhar é amadurecer, aprender a lidar com conflitos, com discórdias, com opiniões diferentes, com pessoas diferentes, num ambiente diferente.

Amadurecer é... prefiro deixar essa para você.

sábado, 18 de agosto de 2007

GRÁTIS

Quem disse que dinheiro não traz felicidade? Pode não trazê-la de forma plena, mas que traz, traz. Se não trouxesse, a falta dele não traria infelicidade.

Dinheiro demais não é necessário. O ideal seria tê-lo na medida certa. O que seria medida certa? O suficiente para além das necessidades básicas de qualquer ser humano, para que as pessoas pudessem comprar um imóvel próprio, ter o suficiente para transporte (se não for muito, ter um carro), se dar ao luxo de, de vez em quando, poder adquirir algo que goste ou que realmente precise poder ter momentos de lazer agradáveis para esquecer ou se desligar das “loucuras” do dia-a-dia. Enfim, o suficiente para sentir o mínimo de realização, para chegar num final de mês e saber que o salário não foi ganho com tanto suor somente para pagar contas.

Mulher adora comprar. Em determinados dias fazem do momento de compras uma sessão de terapia, talvez a melhor dependendo do tipo da mulher. Acredito que a maioria delas sente um prazer enorme comprando algo para se sentirem mais bonitas, mais desejadas, mais realizadas. Digo por conta própria: sou mulher e adoro fazer comprinhas. Futilidade? Talvez sim, talvez não, mas só de sentir algo bom quando está praticando o ato, já é válido. Não sou aquele tipo de mulher surtada que sai para comprar sem ter fundo (confesso que já fui, mas já voltei para minha sanidade), só me dou este luxo prazeroso uma vez por mês, quando recebo meu salário. E, detalhe, tenho que escolher uma peça, pois é o que me permito e o que o meu salário permite (rs). Sem dúvida nenhuma, se eu tivesse mais condições o faria com o maior gosto.

Mas não posso deixar de lembrar que muitos momentos maravilhosos e inesquecíveis da vida são completamente gratuitos. Nem sempre o dinheiro é tudo. Até nos dias atuais, onde as pessoas só pensam nele, se transformam por ele, passam por cima de qualquer coisa para tê-lo, ele pode não significar nada, e pode até se tornar o grande vilão. Isso mesmo, talvez este seja um dos piores vilões da nossa humanidade neste últimos tempos. Temos que deixar muito claro que uma das coisas mais importantes da nossa vida não é comprada, mas nos dada conforme nossa criação, e muitas vezes é coisa de cada um mesmo, já nascemos com isso, é da essência: o sentimento. O amor é de graça. A alegria é de graça. A compreensão é de graça. A ajuda é de graça. E, o mais importante, a vida é de graça.

segunda-feira, 13 de agosto de 2007

FERNANDO PESSOA

De Fernando Pessoa

Quero ser o teu amigo. Nem demais e nem de menos.
Não tão longe e nem de perto.
Na medida mais precisa que eu puder.
Mas amar-te sem medida e ficar na tua vida,
Da maneira mais discreta que eu souber.
Sem tirar-te a liberdade, sem jamais te sufocar.
Sem forçar tua vontade.
Sem falar, quando for hora de calar.
E sem calar, quando for hora de falar.
Nem ausente, nem presente por demais.
Simplesmente, calmamente, ser-te paz.
É bonito ser amigo, mas confesso é tão difícil aprender!
E por isso eu te suplico paciência.
Vou encher este teu rosto de lembranças,
Dá-me tempo, de acertar nossas distâncias...

quarta-feira, 8 de agosto de 2007

PRESERVAÇÃO A TEMPO

24 horas não é muito pouco tempo para um dia inteiro carregado de problemas a serem solucionados? Tenho a impressão que cada ano que passa o dia termina mais rápido. Será que estou ficando louca ou você tem a mesma impressão? Cada dia teria que ter no mínimo umas 72 horas, assim não precisaríamos ficar que nem loucos correndo de um lado para o outro para fazer tudo antes que termine o dia, e quando finalmente teríamos que parar e descansar para a loucura do dia seguinte, a nossa cabeça está tão a mil que até para descansar fica complicado. Não é à toa que as pessoas andam tão estressadas e de mau humor ultimamente. Mas peraí, 72 horas teriam que ser nos dias de semana, porque no final de semana o descanso, pára conseguirmos desligar completamente os problemas da nossa cabeça, as 72 horas deveriam ser triplicadas, melhor ainda, quadruplicados.

A melhor opção na nossa atual vida louca seria virar um monge, budistas ou qualquer destas funções que o ser humano se exercita para desligar do mundo material e capitalista. Já pensou como deve ser perfeito se todos tivéssemos um botãozinho que ao apertar o off nos faria viajar para uma realidade sem muitos problemas a serem resolvidos quando estivéssemos no fim de semana (dias ditos para lazer e descanso)? É, acho que Deus, quando nos fez, não imaginou que a vida se transformaria nesta loucura, que o ser humano se tornaria tão consumista e não preservaria o que foi criado por Ele. Deve estar decepcionado lá em cima, afinal além de estar se autodestruindo o Homem está devastando o próprio ambiente em que vive. Impressionante como é burro! Não pensa na conseqüência, no ambiente que os próprios filhos, netos, bisnetos, vão viver. Isso se ainda existir algum pedaço de terra.

sábado, 4 de agosto de 2007

COM CULTURA

Transar com cultura é bem melhor. Você sabia que antigamente na Inglaterra as pessoas que não fossem da família real tinham que pedir autorização ao rei para terem relações sexuais? Por exemplo: quando as pessoas queriam ter filhos, tinham pedir consentimento ao rei que, então, ao permitir o coito, mandava entregar-lhes uma placa que deveria ser pendurada na porta de casa com a frase “Fornication Under Consent of the King” (fornicação sob consentimento do rei) = sigla F.U.C.K.. Daí a origem da palavra chula: FUCK.

Já em Portugal, devido à baixa taxa de natalidade, as pessoas eram obrigadas a ter relações: “Fornicação obrigatória por despacho administrativo” = sigla F.O.D.A.. Daí a origem da palavra FODA. Por sua vez, quem fosse solteiro ou viúvo, tinha que ter na porta a frase: “Processo unilateral de normalização hormonal por estimulação temporária auto-induzida” = sigla P.U.N.H.E.T.A.. Vivendo e aprendendo... a gente pode até falar palavrão, mas com conhecimento e cultura.