Só tragédia. Obviamente retorno a este espaço para comentar sobre notícias péssimas e dolorosas para o nosso país sobrecarregado de descaso e indiferença das autoridades máximas responsáveis (ou irresponsáveis, como preferirem).
Quantas pessoas têm que morrer para que seja tomado algum tipo de providência? Meu Deus envie um alerta para esses pastéis e diga que são vidas que estamos perdendo! E nem podemos arriscar dizendo simplesmente que foi apenas mais um acidente aéreo. Quando teremos autoridades que realizem o básico para a nossa sobrevivência? Segurança é um fator que está em falta para todos os brasileiros, com exceção do Excelentíssimo. Por volta de dez meses, ocorreu o acidente envolvendo o avião da GOL, e nada foi divulgado, nenhum tipo de laudo com as causas, só o que rola e debate-se não passam de especulações. O país está jogado às traças.
“Vocês estão brincando com vida. Vida que foi e vida que está aqui.” Esta foi uma frase desesperada, dita por um integrante de uma das famílias ligadas às vítimas. Imagino a dor e o desespero destas famílias e amigos também vítimas destas que não podemos chamar de fatalidade. Algo fatal não é corriqueiro e nem algo que se torna cotidiana na história. Não podemos deixar que isso fique impune novamente. A população, que carrega nas costas dor e é vítima dessa palhaçada toda, tem a obrigação de se unir e exigir uma explicação muito bem dada das autoridades, sendo estas pautadas em provas claras, e não duvidosas como tudo que não nos é esclarecido nos últimos tempos. Queria ver se algum parente muito próximo do presidente ou de um dos ministros, como a mãe ou o pai, filhos, irmãos, estivessem no vôo, se agiriam com tanta tranqüilidade. É inadmissível que mesmo ocorrendo essas falhas com enormes freqüências, nada é solucionado e nem se escuta opções para resoluções.
Fiquei sabendo do acontecimento através de um site na internet, porém nem passou pela minha cabeça a proporção do estrago. Centenas de vidas desmanchadas em cinzas. Centenas de famílias com sonhos também desmanchados e com uma gigantesca ferida que levarão eternamente em suas vidas. Pessoas possivelmente inocentes e esperançosas diante de um futuro mórbido. Bom, só pude realmente ter a noção dos fatos quando liguei a televisão e me deparei com as imagens transmitidas ao vivo por diversos canais, que provavelmente tiveram grande parte da equipe de repórteres deslocados para que pudessem fazer a cobertura completa, atualizando sempre cada informação de grande grau de importância. Daqui a pouco terá até um curso de jornalismo específico para a profissionalização das inúmeras tragédias que nos acometem diariamente. Ta, foi um deboche, mas diante do caminho que estamos trilhando, não duvido nada nada. Triste pensar assim. Mas não controlo meus pensamentos nem meus sentimentos.
A cobertura da mídia, como já comentei acima, foi excepcional e podemos parabenizar pelo menos o jornalismo brasileiro, exaltando a superação dos profissionais. Desde o momento da tragédia, as emissoras não pararam de divulgar informações, mantendo o público sempre muito bem informado. As imagens que nos foram transmitidas chocavam e emocionavam. A modernidade da tecnologia nos permite o acesso às imagens em momento real, conseqüência disso é a velocidade que as notícias chegam até nós. Como tudo na vida, isso tem dois lados, o ruim e o bom, e a realidade bate à nossa porta obrigando-nos a encará-la, não tendo assim como nos privar. Desculpem-me a afobação, mas não consigo me conter...
A primeira imagem que vi foi a do terminal da TAM em meios às chamas conseqüentes da colisão da aeronave. Só o que se via do avião era a parte traseira, carregando o nome da companhia. Diante dela já era previsível a impossibilidade de retirada de passageiros e funcionários com vida dos escombros. Fiquei tão mal com aquilo tudo que não me contive e disparei a chorar, me transportando para a vida das pessoas próximas às vítimas que não podem fazer nada além de rezar e esperar para que um milagre aconteça. Não sou capaz de imaginar a dor, a angústia e o desespero dessas pessoas. Quando as notícias iam se desenrolando, a esperança tendia a desaparecer, até que numa entrevista dada pelo governador de São Paulo, José Serra, qualquer chance de sobrevivência foi eliminada. Ele falou que técnicos dos Bombeiros responsáveis pelo local, o comunicaram que o atrito foi tão violento que a temperatura do local alcançou mil graus centigrados, e por isso anulava-se, pelo menos no ponto de vista científico, qualquer chance de vida. Pronto! Perdemos mais centenas de brasileiros inocentes numa tragédia cheia de culpados.
E desta maneira, cheia de indignação e mais fortalecida e consciente da nossa atual situação, que termino este triste desabafo.
quinta-feira, 19 de julho de 2007
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